Epifania em Santiago de Compostela

Hoje gostaria de compartilhar um relato emocionante que meu irmão Pedro Guilherme (@pgt_1988) escreveu ao finalizar o caminho de Santiago de Compostela que fez com meu pai em Setembro de 2017.

Meu pai intitulou de:

“A Epifania em Santiago de Compostela – o corolário do caminho bem feito pelo peregrino sensível”.

Após aproximadamente 165 km caminhados chegamos no sétimo dia na cidade de Santiago de Compostela. Já estávamos exaustos, porém animados com a chegada e ansiosos para ver a catedral e a sua tradicional missa.

Assim como nos outros dias havíamos acordado bem cedo e preferimos não parar para tomar café pois assim chegaríamos a tempo para a missa. A cidade estava agitada com muitos turistas e a fila para a catedral era enorme. Tivemos antes que arrumar um local para deixar nossas pesadas mochilas pois não é permitido entrar com elas. E então fomos para a fila.

Cansados, com fome, animados, competitivos após tanta andança e irritados com algumas pessoas que pareciam furar a fila e com a desorganização, nós não nos abalamos pois éramos quase os próximos a entrar. Quando o segurança nos informa q a missa iria começar e já estava praticamente lotada. Após um breve momento de tensão conseguimos entrar por pouco, fomos os últimos de uma fila que ainda se estendia por metros sem fim.

Era meio dia em ponto, a missa havia começado e internamente a catedral era grandiosa! Centenas, se não mil pessoas entre peregrinos, religiosos e turistas olhavam impactados sua magnitude de proporções e sua decoração imponente, dourada como o sol.

Ao entrarmos após todo esse caos mundano se esgueirando por pessoas, fiz o sinal da Cruz e fui atravessado pelo coral mais angelical que já havia ouvido, acompanhado de órgãos monumentais. Em uma fração de segundo minha energia havia mudado da água pro vinho. Não consegui conter a emoção, lágrimas corriam dos meus olhos copiosamente, assim como agora ao escrever esse texto. Foi completamente assoberbador!

O tamanho da gratidão, da recompensa.. parecia que eu havia entrado no céu! Senti de forma tão sublime na alma o arrependimento e o meu próprio perdão, por tudo de errado que eu já havia feito na minha vida. Todo o sentimento ruim de medo, raiva entre tantos outros que eu tinha gerado em mim e em terceiros, parecia que tinha sido compreendido e absolvido.

Junto de uma gratidão que não cabia em mim, para com a minha família e amigos e tantos outros que me tocaram e influenciaram. Queria compreender melhor o que estava acontecendo, pois não me julgo religioso, mas as lágrimas não me deixavam.

Andamos pela catedral enquanto a missa decorria, para ver todos os seus ângulos e recantos e as imagens, mas tudo me fazia querer chorar, era bonito demais, toda a dificuldade e superação e a busca por algo melhor e elevado em si e para o mundo. Foi uma experiência transcendental, não sei explicar. tentei rezar e rogar pelos meus, mas não conseguia me concentrar, só sabia sentir, se existe Deus acho que ele entendeu. Quando eu me recuperava um pouco da emoção o bendito coral começava novamente e lá ia eu me debulhar em lágrimas, a um ponto que um rapaz me cutucou e ofereceu-me alguns lenços de papel, que pelo meu estado não tinha como recusar. Pensei na capacidade de empatia, solidariedade e de fazer o bem que os homens tem, e de se aproximarem do divino, e aí mesmo que os lenços vieram a calhar.

Catarzes a parte, o bota fumeiro gigantesco que havia na catedral foi um verdadeiro show. Um defumador cheio de insenso que é balançado de um lado para o outro até quase atingir o teto, só estando lá mesmo para entender as dimensões. A missa acabou com o padre desejando a paz de Cristo a todos e dizendo adeus em diversas línguas. Senti verdadeiramente o significado de paz. Estava num outro plano, mais lento, mais contemplativo. Tiramos mais algumas fotos e eu e meu pai sem dizer muitas palavras fomos buscar um restaurante para finalmente comermos. Que dia! Obrigado meu Deus por tantas bênçãos!

PS: Estava animado e contente por fazer essa viagem com o meu querido pai, obviamente era uma oportunidade muito bacana. Mas ao longo da caminhada assim como segundos antes de entrarmos na missa algumas pessoas nos perguntavam se éramos pai e filho, e quando respondiamos que sim elas quase se emocionavam. Agora começo a entender o porquê. Esta viagem de caminhada até Santiago de Compostela é mágica, independente das crenças de cada um. Recomendo fazê-la quando tiverem a disponibilidade devida. Muita luz no coração de todos vocês!

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